A estratégia das vendas em universos paralelos
- Comunicação CDPV - Esther Feola

- há 5 dias
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Empresas estão optando por criar mundos simbólicos que envolvem clientes em experiências imersivas, onde produtos são vividos, não apenas explicados, gerando vendas mais conectadas, persuasivas e memoráveis.

Realidade aumentada, storytelling sensorial, avatares personalizados, jornadas imersivas. A experiência de compra está deixando de ser apenas racional para se tornar quase fictícia — e propositalmente. Algumas empresas não estão mais vendendo produtos, e sim realidades alternativas.
Construções narrativas tão convincentes que o cliente passa a desejar não só o que está sendo oferecido, mas o mundo ao redor da oferta.
Essa estratégia, conhecida informalmente como “vendas em universos paralelos”, tem ganhado espaço em segmentos como tecnologia, moda, educação, saúde, bem-estar e até bens de consumo.
A lógica é simples: em vez de competir por atenção no mundo real, cria-se um mundo onde a atenção já é cativa. E nesse espaço, o produto aparece como um elemento natural da trama.
A lógica dos mundos criados sob medida
Não se trata de mera ambientação visual, as empresas mais ousadas estão roteirizando experiências, criando regras internas, definindo personas e até simulando dilemas que só podem ser resolvidos com aquilo que está sendo vendido.
O cliente deixa de ser um comprador passivo e vira personagem e, como todo bom personagem, quer cumprir um arco, vencer obstáculos, conquistar algo. Isso eleva o engajamento e diminui a resistência ao fechamento.
O impacto disso nas negociações é profundo, quando o cliente entra nesse espaço simbólico, as objeções clássicas perdem força. Comparação de preço, análise de concorrentes, questionamentos técnicos — tudo isso fica em segundo plano quando o valor percebido não está mais ancorado no mundo real, e sim no universo projetado pela marca.
Vendas em universos paralelos e a fusão entre persuasão e imersão
Diferente de estratégias que apenas informam, essa abordagem mergulha o cliente em uma vivência, e o diferencial não é explicado, ele é sentido.
Por exemplo, uma startup de produtividade não vende uma ferramenta de organização. Ela apresenta um ambiente distópico onde o caos reina e só quem domina o tempo consegue prosperar. A plataforma, nesse caso, surge como chave para essa evolução narrativa.
Há também empresas que constroem mitologias próprias: produtos ganham nomes de personagens, serviços são tratados como rituais de passagem, resultados são recompensas simbólicas. Tudo isso gera memórias mais duradouras e vínculos emocionais mais profundos.
Quando a ficção vende mais que a promessa
Em vez de prometer um resultado, o novo paradigma das vendas é fazer o cliente vivenciar esse resultado antes mesmo de comprá-lo. Seja por simulações, jogos, realidades híbridas ou narrativas bem construídas, a lógica da antecipação do valor redefine a jornada comercial.
Esse deslocamento da comunicação comercial tradicional desafia as áreas de vendas e marketing a deixarem o discurso técnico em segundo plano e atuarem como roteiristas, diretores, curadores de experiências.
É preciso entender de enredo, ritmo, linguagem simbólica e metáforas — habilidades antes restritas ao entretenimento agora ganham protagonismo no mundo corporativo.
Como preparar o time para vender realidades alternativas
Criar um universo é tão importante quanto saber conduzir o cliente por ele. Por isso, as equipes de vendas precisam ser treinadas para interpretar papéis, responder dentro da lógica interna desse mundo e manter a coerência simbólica da proposta. Um erro de tom pode romper a ilusão e fazer tudo desmoronar.
Mais do que scripts, esses vendedores precisam de fluência narrativa, para saber quando intensificar a trama, quando convidar o cliente para agir, quando revelar uma solução como se fosse descoberta, e não oferta.
É um tipo de venda performática, onde o discurso linear cede espaço para a construção colaborativa de sentido.
Para além da criatividade: o impacto estratégico das vendas narrativas
Essa abordagem não é só estética — é profundamente estratégica. Vendas em universos paralelos criam contextos onde o valor do produto não precisa ser justificado, ele se impõe pela lógica interna do mundo criado. Isso encurta ciclos, reduz comparações e aumenta o desejo por exclusividade.
Quem consegue construir esses mundos e mantê-los coerentes transforma clientes em fãs, produtos em símbolos e vendas em jornadas memoráveis. Não se trata mais de persuadir, mas de envolver, e nesse novo jogo, vence quem cria o mundo onde o cliente quer pertencer.
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Quem é Diego Maia
Reconhecido como o maior especialista em vendas do Brasil, Diego Maia é autor de oito livros que abordam vendas, performance comercial e liderança. Além disso, ele apresenta o maior podcast de vendas do país, com mais de 2.000 episódios, oferecendo conteúdo estratégico e prático para profissionais de todas as áreas que buscam aumentar resultados.
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